Hoje vivi um pouco da realidade da grande maioria do povo moçambicano. Ao limpar a escola que ainda está em construção eu e Carmen precisamos ficar o dia todo na escola e como ela ainda não tem banheiro, encanamento ou energia elétrica precisamos fazer o que a maioria do povo moçambicano faz.
Usar a água do poço de alguém que disponibilize o seu poço, usar o banheiro da casa de alguém que disponibilize, mas lembrando que o banheiro aqui é uma casinha do lado de fora, feita de lona e com um buraco para as necessidades, e almoçar como moçambicanos, o cardápio de hoje arroz e banana.
Pois bem, na vila perto da escola sempre é um prazer ajudar as senhoras professoras e nos sentimos sempre muito abençoadas por este carinho.
Então fomos eu e Carmen a procura da tal casa para enchermos nossos baldes e levar água para lavar a escola. Confesso para vocês que os primeiros até foram fáceis, carregamos oito baldes grandes cada uma, mas a cada balde as forças iam ficando menores até que não suportamos mais e vendo a nossa dificuldade nosso amigo chamado Colado resolveu nos ajudar. Pensam que ele foi lá para ajudar não, não mesmo! Ele arranjou um colega, o André, um jovem de 18 anos para poder buscar água para as professoras enquanto durasse o trabalho. Ao fim do dia pagamos ao André o que o Colado havia combinado 100 MT (cem meticais) que convertendo em dólares pela cotação de hoje fica em torno de U$ 3,00 isso mesmo 3 dólares para poder trabalhar um dia inteiro enchendo barris de água, embaixo de um sol escaldante para lavarmos a escola. Ao fim do dia o André estava feliz porque tinha ajudado as senhoras professoras e ainda tinha um dinheiro extra para poder comprar algo que quisesse.
Ao longo do dia tomei quase dois litros de água porque o trabalho foi intenso, no entanto, eu não consegui ir ao banheiro, mas a Carmen foi porque tinha naquele dia maiores necessidades que as minhas e voltou chocada se perguntando como ninguém se importa com aquela dura realidade, não há higiene, não há segurança, apenas uma lona e um buraco e ainda bem que tínhamos autorização para usá-lo.
O almoço foi uma delícia feito ali mesmo o arroz com sal grosso que no Brasil usa-se para fazer churrasco, é o sal mais barato aqui. Isso mesmo arroz, água e sal e ficou soltinho. Compartilhei deste almoço com o restante dos trabalhadores que foi acompanhado por uma espécie de angu feita com farinha fina de mandioca, sal e água e uma banana que eu havia levado de casa. Confesso que naquele momento fiquei pensando em todas as vezes que minha avó fez comidas tão gostosas e eu não comi porque queria ter um corpo bonito ou porque até mesmo não estava com tanta fome pois já tinha comido variedade demais de outros alimentos.
Tenho aprendido aqui que é possível ter uma alimentação simples, viver bem e estar feliz porque se tem o que comer, estou aprendendo a cada dia a valorizar o simples pão diário provido por Deus para que saciemos nossa fome.









