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By Ferramentas Blog

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

13 de fevereiro - O trabalho ta começando


Hoje vivi um pouco da realidade da grande maioria do povo moçambicano. Ao limpar a escola que ainda está em construção eu e Carmen precisamos ficar o dia todo na escola e como ela ainda não tem banheiro, encanamento ou energia elétrica precisamos fazer o que a maioria do povo moçambicano faz.

Usar a água do poço de alguém que disponibilize o seu poço, usar o banheiro da casa de alguém que disponibilize, mas lembrando que o banheiro aqui é uma casinha do lado de fora, feita de lona e com um buraco para as necessidades, e almoçar como moçambicanos, o cardápio de hoje arroz e banana.

Pois bem, na vila perto da escola sempre é um prazer ajudar as senhoras professoras e nos sentimos sempre muito abençoadas por este carinho.

Então fomos eu e Carmen a procura da tal casa para enchermos nossos baldes e levar água para lavar a escola. Confesso para vocês que os primeiros até foram fáceis, carregamos oito baldes grandes cada uma, mas a cada balde as forças iam ficando menores até que não suportamos mais e vendo a nossa dificuldade nosso amigo chamado Colado resolveu nos ajudar. Pensam que ele foi lá para ajudar não, não mesmo! Ele arranjou um colega, o André, um jovem de 18 anos para poder buscar água para as professoras enquanto durasse o trabalho. Ao fim do dia pagamos ao André o que o Colado havia combinado 100 MT (cem meticais) que convertendo em dólares pela cotação de hoje fica em torno de U$ 3,00 isso mesmo 3 dólares para poder trabalhar um dia inteiro enchendo barris de água, embaixo de um sol escaldante para lavarmos a escola. Ao fim do dia o André estava feliz porque tinha ajudado as senhoras professoras e ainda tinha um dinheiro extra para poder comprar algo que quisesse.

Ao longo do dia tomei quase dois litros de água porque o trabalho foi intenso, no entanto, eu não consegui ir ao banheiro, mas a Carmen foi porque tinha naquele dia maiores necessidades que as minhas e voltou chocada se perguntando como ninguém se importa com aquela dura realidade, não há higiene, não há segurança, apenas uma lona e um buraco e ainda bem que tínhamos autorização para usá-lo.

O almoço foi uma delícia feito ali mesmo o arroz com sal grosso que no Brasil usa-se para fazer churrasco, é o sal mais barato aqui. Isso mesmo arroz, água e sal e ficou soltinho. Compartilhei deste almoço com o restante dos trabalhadores que foi acompanhado por uma espécie de angu feita com farinha fina de mandioca, sal e água e uma banana que eu havia levado de casa. Confesso que naquele momento fiquei pensando em todas as vezes que minha avó fez comidas tão gostosas e eu não comi porque queria ter um corpo bonito ou porque até mesmo não estava com tanta fome pois já tinha comido variedade demais de outros alimentos.

Tenho aprendido aqui que é possível ter uma alimentação simples, viver bem e estar feliz porque se tem o que comer, estou aprendendo a cada dia a valorizar o simples pão diário provido por Deus para que saciemos nossa fome.

Obrigada Deus, mãe, pai, vó e outros tantos que me oferecem tanto e muitas vezes nem lembrei de agradecer.

10 fevereiro - Reflexões

"Quando eram ainda poucos homens, sim, muito poucos, e estrangeiros nela; Quando andavam de nação em nação e dum reino para outro povo. Não permitiu a ninguém que os oprimisse, e por amor deles repreendeu reis dizendo: Não toqueis nos meus ungidos e não maltrateis os meus profetas." Sl 105:12-15

Hoje especialmente o Senhor me deu esta promessa para que em minha alma se renovasse a certeza de que Ele cuida dos seus filhinhos, ainda que as circunstâncias sejam adversas e não haja saída aos olhos humanos. Por um momento diante das dificuldades não consegui vê-las como desafios e forma de crescimento, mas, neste momento ajoelhei e me tornei pequenina diante de Deus, supliquei forças e fé para caminhar e isso fez toda diferença. Não apresentei as minhas dificuldades, angústias e incertezas diante de homens. Mas as coloquei diante do Deus Criador do Universo, o único poderoso Senhor que guarda as minhas lágrimas no seu odre e se lembra de cada uma delas. O único que doou-se inteiramente para que eu pudesse hoje ter a oportunidade de ser resgatada e servi-Lo.

Ainda sem a minha casa ou mesmo previsão de que isso aconteça, sem ter conversado com o ministerial da educação do campo para definir os pormenores legais da escola e do trabalho, e ainda sem dinheiro para fazer as coisas funcionarem na escola ainda não vejo saída alguma. Apenas posso colocar as minhas mãos e mente para trabalhar e orar para que o Senhor faça os milagres que Ele tem a fazer em favor dos seus filhos.

A vida em um país estrangeiro é muito difícil e aqui em África as dificuldades são ainda maiores devido a tantas dificuldades econômicas e exclusão social. Por isso acredito que a demora e tranqüilidade das pessoas para a resolução dos problemas não se faça por más intenções, mas sim por ser especialmente difícil viver e realizar as coisas aqui, a opressão é contínua e em todos os lugares.

Ao conversar com o Senhor me senti em paz e com a certeza mais uma vez de que Ele cuida de tudo, e tudo mesmo!


10 de fev. A água do poço


Domingo fui passear no morro aqui perto, chamado Cara de Velho, uma superação para mim já que o morro é inclinadíssimo e tínhamos que subir escalando. Foi muito legal ter participado desta aventura com um grupo tão alegre.

Mas não é desta superação que quero tratar aqui, é da superação do povo africano, ver um grupo de senhoras com uma infinidade de baldes a serem cheios, alegres, cantando aguardando cada uma a sua vez para tirar a água, tão abençoada água do poço artesiano para saciar a sede de sua família me impressionou muitíssimo. Primeiro porque nunca havia visto um poço de perto, e estar ali compartilhando aquele momento foi um êxtase já que elas me permitiram puxar um balde para poder encher uma de suas bacias. Senti uma emoção enorme por poder viver tão perto de mim a realidade de tantas pessoas que sofrem com a escassez de água. Um produto que para nós brasileiros (pelo menos para mim era) é tão pouco valorizado e na verdade desperdiçado porque temos todo o tempo em nossas torneiras, em nosso chuveiro, em nossa geladeira. Aqui a água é artigo precioso e muito bem economizada por todos os que até aqui chegam.

Não tive oportunidade de me demorar muito com aquelas mulheres mas senti no sorriso de cada uma delas uma gratidão imensa a Deus por terem o privilégio de estar ali com seus baldes embaixo do sol quente da África a buscar água para saciar a sede de sua família.

Espero que ao voltar eu continue a lembrar dessas mulheres que todos os dias vão áquele poço encher seus baldes e assim eu continue a economizar água através de ações simples como fechar o chuveiro para ensaboar, não deixar a torneira pingando, ou deixar aberta enquanto escovo os dentes, e não lavar a calçada ou o quintal com a tão preciosa água.

09 fev 2010


Hoje resolvi escrever sobre algumas experiências vividas com o povo local, não conheço ainda muitas pessoas e estou na cidade há poucos dias, mas algumas coisas tem me chamado a atenção.

O povo daqui sabe a importância que tem a educação, criança tem de estar na escola é sempre o que todo pai de família quer que aconteça com seus filhos. As escolas aqui em Moçambique em sua maioria são particulares, as escolas do governo oferecem apenas a educação básica que no Brasil consideramos até a 9 série. Educação infantil e ensino secundário é preciso pagar portanto, só estuda quem tem mesmo alguma condição financeira que seja para manter-se na escola. Os cursos de formação aqui são muito básicos e quem já está na 10 classe, o que no Brasil equivale ao 1 ano do ensino médio já está habilitado a dar aulas.

Apesar de tantas dificuldades para estudar, o povo moçambicano tem um amor enorme pela educação. Os uniformes aqui lembram nossos antigos uniformes colegiais, para os meninos, calça social azul, sapato preto muito bem engraxado, camisa social branca e gravata azul de acordo com a cor da calça. Já para as meninas ao invés da calça, saia um dedo abaixo do joelho (bem comportada) e meias brancas até a batata da perna. O mais interessante aqui é que professor é chamado até pelos pais por senhor professor ou senhora professora e é considerado realmente um mestre naquilo que faz. O respeito com a pessoa daquele que ensina extrapola a sala de aula e nos permite trabalhar com uma intimidade muito maior com cada aluno. O professor é considerado como alguém com quem se pode sempre contar, que sempre quer o seu bem e está sempre disposto a ajudar e isso se torna realidade no dia-a-dia de cada aluno. Pois, ao sair da escola ele sabe que não tem somente um professor, mas pode sempre contar com um amigo que sempre lhe quer bem.

Infelizmente, os professores não tem muitos recursos a serem utilizados para aplicar suas matérias, eles contam apenas com os livros didáticos fornecidos pelo governo, a sua voz, o quadro negro e o giz. Sim, giz e quadro negro sim, esses são os recursos utilizados aqui para aplicação do conteúdo escolar. Quanto ao material dos alunos, alguns têm cadernos, outros pedem folha aos coleguinhas para poder escrever, quase todos têm lápis no toquinho como chamamos ai no Brasil aquele lápis que descartamos porque de tão pequeno atrapalha a escrita. E borracha, ah, a borracha é sempre muuuuuuuito usada!

Você deve estar pensando que o professor aqui deve usar muita criatividade para poder manter a atenção dos alunos durante as aulas apenas com estes recursos. Não mesmo! As aulas são produtivas e os alunos bem disciplinados porque cada um deles tem a consciência de que apenas através da educação é que terão alguma possibilidade de mudar o seu destino.

Aqui fica uma reflexão para nós que a cada dia deixamos nossos filhos na escola que conta com tantos recursos que ás vezes nem sabemos para que tanta coisa na lista escolar e nem sequer lembramos de dizer-lhes que precisam prestar atenção ás palavras do professor, atentar para o que está sendo falado em sala de aula e fazer a sua parte para que aquilo que lhe é ensinado seja absorvido para que ele tenha um futuro melhor.

08 fev. Aprendendo a confiar


Você já teve aquela sensação da mesma situação ou circunstância se repetir em vários momentos de várias maneiras e quanto mais se repete, mais você tem a sensação de que está completamente perdido em meio a tudo... Pois é, na maioria das vezes quando isto acontece é para que aprendamos ou compreendamos algo que ainda não está claro para nós. E por isso, como criança, é necessário que haja um reforço positivo ou negativo para que despertemos do sono letárgico.

Foi exatamente o que senti em relação a viagem e minha estadia os primeiros dias na África. Desde o principio tive a certeza de que o chamado a este trabalho vinha do Altissimo e em todas as circunstâncias e fatos Ele esteve a frente, mesmo quando de alguma forma eu atrapalhei com a minha ansiedade. Ele reverteu a dificuldade em benção para mim. Infelizmente por muitas vezes não consegui ter esta percepção tão clara de que o Eterno Deus do Universo estava a dirigir tudo e eu não precisava me preocupar.

Apesar de estar ciente da promessa em Sua palavra a insegurança humana falou mais alto algumas vezes. Quando meu visto demorou e tive que adiar a viagem não percebi que era o melhor, fiquei angustiada e tive medo de que tudo desse errado, no entanto, o Senhor estava me poupando de um transtorno maior que era ter o visto negado ou não ter possibilidade de resolução aqui como aconteceu com amigos missionários que vieram somente com o visto de turismo. Ou então ter de ficar sem residência fixa por muito mais tempo do que eu imaginava, ou ainda ter a frustração de ver a escola ainda sem paredes e ter que esperar um longo tempo por isso em circunstâncias adversas ou também viajar sem a oferta voluntária dos irmãos que fizeram campanha para me ajudar a custear as despesas da viagem e algumas despesas pessoais enquanto não tivesse recebido. Sei que o Senhor tem me livrado de outras tantas dificuldades e isso tem me fortalecido no sentido de aguardar que Ele determine o que é melhor para mim, mesmo que eu não entenda ou compreenda, eu preciso aceitar o que Ele diz.

Outra situação em que o Senhor trabalhou comigo para que eu aprendesse a confiar foi quando por engano ao comprar os dólares o caixa do banco Exchange entregou Euro e não dólares. No momento eu não conferi, estava tão eufórica com a viagem pela manhã e ainda havia tanto por fazer que não me dei conta de conferir o dinheiro com a minha amiga que havia feito a compra para mim. Quando ás 2 da madrugada dia anterior a viagem eu já havia terminado minhas malas resolvi conferir quanto dinheiro eu teria e qual não foi a surpresa quando vi que era Euro e não Dólar que me haviam sido dadas. E o mais engraçado de tudo que apesar de cotações diferentes para as duas moedas o caixa pagou exatamente a quantia que havia sido dada a ele.

No primeiro momento fiquei sem entender e imaginei ser mais uma provação e ajoelhei-me e orei perguntando a Deus o que Ele queria que eu aprendesse naquele momento. Talvez por estar com muito sono e ansiosa não percebi a voz de Deus falando para que eu confiasse e estivesse em paz porque Ele estava cuidando de tudo. Levantei então no outro dia na maior correria peguei carona com o Souzinha para buscar o recibo da troca no trabalho da Lílian, voltei pra casa correndo para não perder a hora e corri para o aeroporto para conseguir trocar o Euro por Dólares ainda no Brasil. Qual não foi minha surpresa quando ao chegar em Moçambique descobri que em toda a África (isso mesmo, em todo o continente africano) não se aceita mais o dólar antigo chamado por eles de cara pequena, somente a nova versão, ai então apenas orei e pedi a Deus que me desse paz porque todo o dinheiro que eu tinha trazido estava em Dólar. Meu coração ficou tranqüilo e quando fui cambiar o dinheiro aqui em Moçambique pela moeda local descobri que havia pegado o câmbio mais alto daquela semana e com exceção de U$10,00 o restante era todo em nota nova cara maior. Deste momento em diante entendi claramente que o Senhor cuida de tudo antes mesmo que aconteça ou peçamos, Ele já está a trabalhar por nós. Quem é este Deus que trabalha em favor dos seus filhos. Este é o meu Deus!

Hoje tenho certeza que mesmo estando ainda sem um lugar fixo para morar, sem uma escola prontinha para trabalhar, tendo que caminhar muito tempo para chegar aos lugares, tendo dificuldades para tomar banho, comer ou dormir, estando longe de casa sem saber falar outro idioma, sem amigos, parentes ou conhecidos para confortar ou ajudar, o Senhor sempre estará cuidando de mim. Não preciso andar ansiosa com coisa alguma apenas preciso lançar sobre Ele as minhas aflições. Porque Ele me responde antes mesmo que eu me ponha a orar.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

06-02 Fish Shabah


Hoje comecei o dia com uma alegria ainda maior por ser o sábado, o Santo dia do Senhor em que nos lembramos da criação e da redenção e neste lugar tão pertinho da natureza não tem como não sentir a presença do Pai todo o tempo. Graças a Deus a Carmem, minha nova amiga e companheira de trabalho chegou bem, fez uma boa viagem e também está animada para o campo missionário. Ela parece ser uma garota legal e temos tido a sensação recíproca de que já nos conhecíamos há muito tempo. Talvez porque tenhamos muito em comum e principalmente por estarmos aqui com a mesma Missão.
Hoje foi legal porque fomos á igreja pela manhã e tivemos uma apresentação formal, tivemos também a oportunidade de conhecer algumas famílias que moram aqui no Campus, conhecemos algumas crianças que alegraram nosso dia.
Após o almoço participamos de uma roda de meninas, todas adolescentes que estavam arrumando o cabelo e conversando sobre coisas de meninas... Percebi que não há qualquer diferença entre as meninas daqui e as adolescentes que eu conheço no Brasil. Todas elas são vaidosas, têm sonhos, planos, desejos e querem muito ser felizes para sempre como toda menina na idade delas. Cada uma tem uma beleza diferente e especial, fiquei impressionada com a perfeição do corpo de cada uma delas, coisa de modelo mesmo e achei muito lindo saber que elas também se preocupam em se preservar até o casamento já que a AIDS aqui é uma constante ameaça até mesmo nas fileiras de nossas igrejas.
Fiz questão de participar com a Fati Didi uma garota de 17 anos que é secretária do ministério infantil na igreja de Manga dentro do Seminário Teológico. A Fati Didi é uma potência na educação, mesmo sem ter respaldo técnico aplica inúmeros conceitos pedagógicos em suas atividades com as crianças e mais que isso, consegue manter a atenção de todos durante o desenvolvimento das atividades. Nos momentos que participei não consegui perceber nenhuma criança dispersa ou desinteressada nas atividades. Não pensem vocês que ela ficou apenas uma horinha com aquelas crianças, não mesmo. Ela passou a parte da manhã na escola sabatina infantil desenvolvendo atividades e á tarde com jogos e brincadeiras em que o único recurso que ela usou foi a sua voz que por sinal, muito linda e melodiosa. A Fati Didi me disse que todos os sábados ela fica com as crianças fazendo brincadeiras e jogos porque elas moram muito longe e não conseguem voltar á casa para retornar á igreja á tarde então tanto os pais quanto elas precisam fazer apenas um intervalo em suas atividades para estarem prontos ás 14:00 para os trabalhos na igreja.
Abro um parêntesis aqui para lhes dizer que fiquei envergonhada ao ouvir sobre isso. No Brasil ficamos contando o tempo, olhando relógio a todo o momento se passa um pouco da hora de término do culto. Ás vezes ficamos irritados e até indignados porque é preciso cumprir horários. Aqui em Moçambique não funciona bem assim. As atividades começam ás 08:00 da manhã com a classe dos professores e se estendem até ás 13:00 com intervalo até ás 14:00 para quem pode voltar á casa e almoçar em casa. Retomam as atividades ás 14:00 sem intervalo até ao pôr do sol quando é hora de retornar á casa. Ninguém aqui, nem mesmo os jovens acham mal empregado, excessivo ou maçante o tempo dedicado ao trabalho missionário. Estou aprendendo a me alegrar em qualquer circunstância, estar sempre grata por tudo que tenho e a ter muita, muita animação com todos aqui em Àfrica.
Também hoje conhecemos alguns missionários norte-americanos do Projeto Maranatha, pessoas alegres, cheias de bondade no coração e completamente comprometidas com a Missão, eles falam apenas inglês, eu apenas português e, no entanto, conseguimos nos comunicar, brincar e rir muito, foi um sábado alegre, é sempre bom fazer novos amigos. Pelo menos agora já tenho casa para ficar se um dia for passear em Quebec, New York ou Boston...hehehe acho que já estou a sonhar alto demais.
Hoje também entendi o quanto era importante nos tempos bíblicos chegar á casa de alguém e ter os pés lavados pelos servos, a Bíblia começou a ficar um pouco mais clara para mim e isso foi importante. Hoje tínhamos água pela manhã e tomei banho para ir á igreja, á tarde estava muitíssimo quente, minha pressão baixou bastante após as brincadeiras com as crianças á tarde e pela misericórdia de Deus novamente consegui tomar um banho e a pressão voltou ao normal. Após o restante das atividades ficamos sem energia e sem água e apenas lavei os pés para dormir. Lavei os pés agradecidos a Deus por ainda conseguirmos dividir um pouco de água para que todos em casa fizessem o mesmo. Era realmente um refrigério para quem chegasse á casa nos tempos de Cristo ter os pés lavados. Hoje compreendi um pouco melhor algumas histórias contidas na Bíblia.

05-02 Aventura no Centro da Cidade de Beira


Abri um espaço aqui para contar um pouco sobre as atividades aqui em Moçambique. Em África em geral 90% dos países segundo me foi informado têm seus estabelecimentos funcionando até ás 15:30. Após este horário a cidade não funciona mais. Todos os comércios fecham e somente funcionam as escolas para o horário da tarde.
Fiquei impressionada com a cidade, na verdade estava esperando mesmo o que vi ali. A grande maioria das casas é de pau-a-pique, bambu ou telha com bambu. Não existem as mínimas condições de higiene para estas pessoas. Quem mora nestas casas não têm rede de esgoto, água encanada ou mesmo um banheiro que possam utilizar. Os prédios são todos velhos, gastos pelo tempo. Vende-se tudo nas ruas, o comércio da rua é assustador, o que mais se vê são vendedores ambulantes, desde frutas á carros, tudo o que você procurar pode encontrar nas ruas. Para quem é estrangeiro como eu comprar as coisas assim é infinitamente mais difícil, pois não se consegue pagar o preço real, mas um preço específico para quem é estrangeiro, ou seja, sempre duas ou três vezes mais do que se pagaria um nativo.
Vi aqui também muitos chineses e principalmente indianos envolvidos com o comércio. Em geral os indianos sempre terão o que você procura e se no momento não tiverem com certeza de alguma forma a encomenda que você quer eles conseguirão. Nos comércios chineses a correria é constante, o atendimento é rápido e muito específico, o que é bom que não se perde tempo, se você souber a língua deles é claro...hehehe
Descobri ao visitar a cidade que muito do que eu trouxe era dispensável já que nos supermercados aqui encontrei muitos produtos que temos no Brasil e carreguei peso desnecessariamente. Ainda preciso aprender a confiar na providência divina e descansar, não andar ansiosa com o que tenho de comer, beber ou vestir, porque Deus supre tudo
Hoje fui trocar os dólares que eu trouxe e descobri uma lição importantíssima que eu já devia ter aprendido há muito tempo. Ao comprar na casa de câmbio no Brasil recebi Euros ao invés de Dólares, apenas as duas da manhã antes da viagem descobri que tanto eu quanto o operador da casa havíamos nos confundido pois ele havia me dado Euros, apesar de eu haver pedido dólares. Não imaginei que pudesse ter sido direcionado por Deus tal acontecimento e então dei um jeito o quanto antes de trocar os Euros por Dólares no Aeroporto o que consegui fazer sem problema algum e achei que estava fazendo a coisa certa.
Entretanto, ao chegar na casa de cambio em Beira para trocar os dólares por meticais acabei descobrindo que em toda a África não se aceita mais o dólar antigo, apenas Euro e o novo dólar um pouco maior que o antigo. Mas ainda assim apesar da minha ansiedade para a troca do mesmo no Brasil o Senhor foi misericordioso e me presenteou com a maioria de dólares novos com notas maiores e agora tenho 10 dólares guardados o que aqui significam uma quantia de 300 meticais que aqui poderia fazer feira durante uma semana. Hehehehe...
Preciso ainda aprender a confiar e esperar por Deus pois Ele conhece tudo e principalmente preciso deixar de tentar ajudá-lo. Porque toda vez que tentamos ajudar a Deus em algo, temos a capacidade de estragar tudo! E no fim O chamamos para resolver o que atrapalhamos. Eita ser humano difícil!

Anjos em forma de homens (5 fev)


Aqueles que conhecem sabem bem que gosto muito de dizer que Deus usa seu povo para nos dar abraços carinhosos sempre. Pois bem, quero falar-lhes de dois anjos em forma de homens que Deus tem usado grandemente para tornar a nossa vida aqui um pouco mais fácil. Pedro dos Santos é um rapaz que é nosso vizinho aqui no Seminário Teológico e ajuda na escola de Beira, sonha em fazer medicina um dia, mas como o curso de medicina é privilégio só daqueles que possuem muito dinheiro ele tentou o exame admissional o que no Brasil chamamos de vestibular para a faculdade pedagógica de Biologia, é muito dedicado, aplicado ao seu trabalho e melhor, faz com esmero e alegria. Nestes dois dias que aqui estou, observei o trabalho dele na escola daqui e não o vi chateado, triste ou acabrunhado uma única vez. Sempre solícito e pró-ativo tem sempre algo a acrescentar, conhece de tudo um pouco, é bem articulado, sabe inglês perfeitamente e conhece o sistema educacional daqui. Pedro tem sido um braço incansável ao lado da Erica e do Fábio um casal de missionários que veio também este ano e cuidarão da escola aqui em Beira onde estou residindo provisioramente. Eles se casaram há apenas dois meses estão ainda em lua-de-mel enfrentando muitos desafios, admiro-os muito por terem esta coragem, mas esta é uma outra história que contarei depois.
A realidade do Pedro é bem diferente da realidade da maioria aqui, ele faz parte de um grupo seleto que conseguiu se dedicar ao estudo, seu pai apesar de quase não ver os filhos por ter que trabalhar muito para mantê-los, o que não era possível todo o tempo, entendeu que educação é essencial e pôde dar ao Pedro o privilégio de estudar até a sétima classe (a nossa sétima série no Brasil) sem ter que trabalhar. Com isso fez nascer no coração do Pedro o desejo de ser médico, no entanto pagar U$250 por 3 meses de estudo é um luxo que nem Pedro nem sua família possuem. Ele estudou em escola pública todo o tempo e por suas notas conseguiu terminar o secundário também gratuitamente com bolsa de estudos. Infelizmente para ele este sonho de ser médico, como ele mesmo diz: está bem guardado até que algo possa mudar, mas enquanto isso ele vai sendo feliz e dando seu melhor naquilo que ele pode fazer. Pedro tem me ensinado muito nestes dois dias a máxima de Paulo: Aprendi a estar feliz em qualquer situação.
Outro anjo que conheci hoje chama-se Josefa (Lê-se Jôssefa) um jovem humilde, alegre e prestativo. Ele e a esposa sabem bem o que é ser estrangeiro em terra estranha, ela é Jamaicana e ele é Moçambicano, mas ficou muitos anos em Cuba para estudar, ele é professor de educação física aqui em Moçambique e tem prazer em dedicar tempo em ajudar-nos no que for preciso. Ele tem sempre uma palavra de conforto, um toque de sabedoria ou um conselho pertinente em relação a nossa realidade local e isso tem sido uma benção para nós.
Hoje muito me chamou a atenção uma cena. Josefa nos levou ao centro da cidade para que eu pudesse trocar meus dólares (os que valem aqui) ver questão de internet, comunicação e documentação no centro de imigração. Ao estacionar em frente á loja que fornece internet aqui para que o Fábio pudesse instalar a net dele, estacionou ao lado uma senhora e exigiu que ele retirasse o veículo porque ali onde estávamos era o lugar dela estacionar. Sinceramente eu esperei uma confusão, ou no mínimo que ele se irritasse com a situação ou a exigência daquela mulher e na verdade ele me surpreendeu e muito. Sem nem mesmo mudar a entonação da voz ele prontamente retirou o veículo, pediu desculpas e ainda sorriu. Naquele momento pensei no quanto aquém estamos da verdadeira sabedoria com toda nossa cultura, organização, planejamento, poder, superioridade e arrogância, porque na verdade, a grande maioria de nós olha para as pessoas que moram neste continente como seres inferiores e necessitados que precisam desesperadamente de ajuda e na verdade, quem está realmente necessitado somos nós.
Obrigada Deus pela Tua presença constante conosco através dos seus anjos.

A Viagem III


Embarquei novamente em outro avião, agora um bem menor e não tão novinho quanto os primeiros para chegar á cidade de Beira na província de Sofala, um lugar temporário até organizarem tudo. Vi do alto algumas belíssimas paisagens da África e fiquei impressionada com a quantidade de plantações em um continente que vive com fome. Precisamos aprender muito sobre e com este povo, não são eles que precisam de nós, somos nós quem precisamos deles.
Desci em Beira e a sensação foi exatamente a que a Bibi me descreveu, como se eu fosse um fio de cabelo com um secador ligado envolvendo-me. O calor é causticante, á primeira vista não é nada animador, mas fiquei imensamente feliz por ter pisado em solo africano e poder ter o privilégio de estar aqui.
Ao chegar o grandpa e o Pr. Auaia (que quer dizer arame) já estavam á minha espera e não precisei ficar esperando muito tempo. Mais uma vez minha aventura com o inglês continuou mas agora com muito mais significado, já que eu ficaria hospedada durante alguns dias na casa do grandpa (um missionário canadense e a esposa que têm sido um carinho de Deus nestes primeiros dias. ) Ao chegar eu queria compartilhar tanto e ele também, mas, mais uma vez a língua criou uma barreira, que será derrubada durante este ano em nome de Cristo. Mais uma vez me senti, incompreendida, fora de casa, estrangeira, no entanto, very, very happy!
Aqui energia elétrica, água e outros confortos são considerados luxo por aqui. Meu primeiro banho foi de chuveiro, o que posso considerar um privilégio e mais um abraço de Deus já que há 3 dias não tinha água em casa. Tomei o banho frio (porque aqui só se toma banho frio) chuveiro quente é um luxo que nem todos possuem. Ah, detalhe economizei água e não me permiti usar o chuveiro aberto todo o tempo durante o banho. Foi um alento e agradeci muitíssimo a Deus por me dar tanto. Em Beira que é uma Baía e está abaixo do nível do mar a sensação constante é de que você está derretendo, você sai do banho completamente molhado por conta do calor e isso te dá a sensação de estar pregando o tempo inteiro o que não é muito bom. Fui ao mercado a noite e pude constatar de perto porque não é aconselhável sair á noite sozinha, é realmente hostil em alguns lugares.
Aqui em África as pessoas andam no meio da rua, mesmo na estrada as crianças, os jovens, adultos e idosos andam no meio das ruas, não que eles estejam perdidos ou sem rumo, apenas fazem isso, é cultural. Aqui existem alguns contrastes interessantes, apesar de serem muito pobres e a maioria morar em casa de pau-a-pique ou de bambu ou telhas nas ruas não circulam veículos velhos, Hilux é um dos carros mais comuns que vi aqui, é igual lixo tem muito e por toda a parte. Ao passo que comida e água é por sua vez bastante caro e não são todos que têm acesso ao luxo de ter água mineral em casa diariamente. Ah, estou vendo que tudo que aprendi sobre a água em ciências na escola aqui não se aplica: Água aqui tem cheiro, cor e sabor sim!

A Viagem II


A Viagem II
Ainda em São Paulo no aeroporto de Guarulhos fiquei perdidaça...kkkkkkkkk
Li algumas placas erradamente sem prestar atenção e fui para o lado contrário, o que significou para quem conhece aquele aeroporto alguns longos minutos de caminhada carregando a bagagem toda, duas bagagens de mão, o notebook e duas malas, uma de 28 kg e outra de 26 kg foi bastante difícil. Me deu uma vontade quase incontrolável de chorar, ligar para casa e pedir socorro. Mas, agora eu não tinha para quem ligar para me socorrer e nem adiantava chorar. Precisava colocar a cabeça pra funcionar e resolver. Então calmamente, sentei um pouco, observei em volta, elevei o pensamento a Deus e levantei-me dali com a voz dEle dizendo: Este é o caminho andai por ele... e realmente fui na direção certa. Ao chegar no guichê da South African a fila estava grande e o guichê só abriria ás 14:30 e ainda eram 12:10. Como boa mineira, por medo de perder o trem enfrentei a fila e ao chegar ao guichê descobri que eu não poderia viajar com 3 bagagens de mão e tive que sair da fila, desfazer minha bagagem de mão de maneira a ficar com apenas uma e o notebook e voltar ao final daquela fila enorme. Ao sair dali ouvi novamente a voz de Deus dizer-me: Todas as coisas contribuem para o bem daqueles que amam a Deus, e contribuiu mesmo, pois, ficou bem mais fácil carregar tudo.
Após o check-in fui direto á sala de embarque e fui abordada por várias pessoas querendo conversar falando inglês e infelizmente não consegui entender muita coisa e tive a certeza de que saber outra língua é imprescindível, me senti analfabeta.
Em São Paulo choveu, mas mesmo assim o vôo foi tranqüilo, sem turbulência vi o pôr-do-sol por cima das nuvens e lá não havia chuva, foi lindo! No avião a sensação de analfabetismo centuplicou e detalhe aconteceu de tudo comigo nesta viagem, na verdade acho que todo mundo tinha que passar por um super intensivo antes de uma viagem internacional, é muita informação e informação em inglês...kkk Abrirei um parêntesis para lhes contar sobre isso...
Por não saber inglês dois amigos me ajudaram muitíssimo fazendo uma cartilha básica com o que eu deveria falar e o que eu provavelmente ouviria durante a viagem, também meu irmão e minha cunhada me presentearam com um guia de expressões em inglês para a viagem e isso tudo me ajudaria muito se estas informações não estivessem apenas em meu computador que tinha que ficar desligado durante o vôo...kkkk e o guia como era riquíssimo de informações, tinha muito a se consultar e rapidez não é uma das minhas melhores qualidades....
O engraçado é que eu precisei muito me comunicar já que apesar de ter feito reserva de minha comida vegetariana, a mesma não estava disponível com meu nome, quando veio ficou faltando os talheres, e para falar tudo isso á comissária de bordo... impossível. Quando achei que tudo que tinha que acontecer já havia acontecido, um senhor bebeu tanto que não agüentou ao caminhar e desmaiou no avião. E adivinhem só perto de quem ele caiu, exatamente perto de mim. Apesar de ter ficado muito nervosa, sem saber o que estava acontecendo, a equipe de comissários de bordo se apresentou e rapidamente controlou a situação. Não me chamem de maluca, mas durante a noite assisti á vários filmes em inglês sem legenda. Mas não pensem que é porque eu queria manter meu ouvido atualizando as palavras em inglês, mas porque eu não sabia mexer no controle remoto que também tinha instruções em inglês Kkkkk. Foi ilário! A saída foi olhar á minha volta e observar como os outros passageiros faziam e ó, deu muito certo. Quando descobri como tudo funcionava fiquei me sentindo já que agora consegui assistir Marley e Eu em português. Foi interessante porque depois fiquei sentindo falta do inglês. Fora os contratempos com a língua a viagem foi ótima.
Vi uma das cenas mais lindas de toda minha vida até agora (3-fev) o nascer do sol em África acima das nuvens, é indescritível sensação igual não vivi ainda. Pousamos em África do Sul e mais analfabeta ainda me senti, após rodar por duas ou três vezes em círculo por não entender as informações Deus enviou um anjo em forma de gente que falava português e mostrou-me onde e como informar-me. Desta vez sem bagagem ficou mais fácil a caminhada.
O aeroporto de Joanesburg é lindíssimo, enorme e muito bem cuidado, no entanto o papel higiênico em Africa não é branco (pelo menos o daquele aeroporto) era amarelo, fiz questão de conferir em outras cabines do banheiro e constatei que era mesmo daquela cor. Comecei a vislumbrar o que o Pr. Bezerra e a Bibi diziam sobre esquecer o conforto que tinha no Brasil.
Tive também o privilégio de perceber o quanto a diversidade e a tolerância podem caminhar juntas. Percebi ao meu redor que naquele aeroporto podiam conviver em harmonia vários idiomas, dialetos, culturas, poderes, cheiros, gostos e posições diversificadas e que não é tão difícil amar o diferente, o difícil é não aceitar o diferente só porque é diferente. Precisamos ser mais humanos, tolerantes, pacientes e compassivos uns com os outros, precisamos nos harmonizar. Tal pensamento me levou á Torre de Babel descrita na Bíblia com a primeira mistura de línguas que houve e fiquei pensando na guia e amor de Deus todo o tempo, já que conseguimos apesar das diversas linguagens, significados e significantes chegar até aqui. Acho que compreendi experencialmente o que significa não ser compreendido e isso é estranho porque gera uma sensação de insegurança enorme e então precisamos nos agarrar mais aquele que verdadeiramente nos compreende e nos ajuda. Acho que esta era uma das lições que Deus queria que seu povo aprendesse; A dependência de Deus para encontrar a verdadeira segurança e compreensão.

A Viagem 3 e 4 fev


Para aqueles que resolveram me acompanhar nesta aventura designada por Deus, posso dizer que sejam bem-vindos e espero que gostem de partilhar estes momentos comigo... Deixemos de balela e vamos ao que nos interessa não é mesmo
Viajar é very, very good! Ainda mais uma viagem internacional para um continente tão rico e lindo quanto á Mama África. Como eu gosto muito de viajar, conhecer novos lugares e pessoas achei o máximo ter a oportunidade de viver este ano em África. Entendo como um presente de Deus. E foi encarando tudo com muita fé que consegui tomar a decisão de vir.
Ainda em Brasil, creio que a pior parte foi a despedida, porque para mim, acho que é a pior parte de tudo. No entanto, acho que é ainda mais sofrido para aqueles que ficam, pois a saudade dói mais porque o tempo é um inimigo diário. Já para quem vai é sempre bom pois está com o coração cheio de esperanças e com muita, muita euforia de que tudo corra bem. Além do que as inúmeras possibilidades para quem tem algo tão novo á frente e tão desafiador é um movimento intenso que não paramos muito para pensar em toda a distância evolvida. Em mim como sempre era de se esperar aquela dorzinha de barriga básica rolou é claro. Mas, mantive firme até o momento de despedir de todos e senti que isso foi muito positivo já que também todos estavam ali porque me amavam e sabiam o quanto isso significa para mim. Família vocês estão sempre comigo, obrigada! E amigos valeram as palavras, as ligações, as despedidas, as mensagens, força em cada passo!
Embarquei em Confins normal, chegamos dentro do horário, o aeroporto estava vazio e o check-in foi tranqüilo, a família junto, apesar de tristes, mas me apoiando. Como disse os amigos todos ligaram para se despedir e dizer palavras de incentivo, carinho e apreciação. Foi bem legal e poderia ter sido melhor se eu tivesse colocado mais crédito em meu celular hehehe, mas achei perfeito assim mesmo. Não fiquei nervosa, talvez ansiosa, mas não irritável e pude curtir minha primeira viagem de avião.
Na verdade entendo que pude viver o privilégio mais uma vez da guia de Deus. Quando digo, viver a guia de Deus é sentir seu carinho, amor, apreciação e zelo. Não sei explicar, mas exatamente como na oração do Dirceu por mim na véspera eu senti o Pai envolver-me por seu infinito amor. E isso me trouxe muita paz e levou toda a ansiedade, foi maravilhoso. Foi indescritível a sensação de estar nas nuvens, ver o avião subindo e deixando para trás os carros, trânsito, pessoas e aproximando-me mais do céu, só posso dizer que me senti muito pequena e impotente em relação a este Deus infinito e onipotente. Ao mesmo tempo senti que era infinitamente amada e que Deus se importava comigo todo o tempo, mesmo quando eu mesma não me importava...
Fez parte do pacote que Deus me tem concedido a chance de viajar sozinha na cadeira que escolhi de Confins até Guarulhos, gosto de chamar estas surpresas de Deus de abraços de Deus e foi o que senti que Ele fez comigo, me abraçou e disse:
_ Filha querida, eu te amo tanto! Quero muito que você acredite nisso e busque de mim forças sempre para se aperfeiçoar e se tornar uma pessoa melhor.
Envolvida por este misto de sentimentos me recolhi á minha pequenez e chorei bastante com o coração grato a Deus por tanto me dar sem eu merecer nadinha. Depois das lágrimas consegui novamente ver o céu, M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-O! O dia estava claro, o céu azul celeste com nuvens espassadas e igualmente lindas me convidando a voltar aos tempos de criança quando olhava para as nuvens e ficava tentando imaginar através de seus desenhos que tipo de animal era formado... Engraçado, desta vez eu vi muito mais animais provenientes da África do que das outras vezes, será coincidência....kkk Não, acho que não. Talvez Freud explique...
Quando cheguei em São Paulo estava com o meu coração batendo forte de emoção e sentindo-me pequena demais e insignificante a frente daquele misto de línguas, culturas, cheiros, cores e gente, muita gente. Apesar do medo do desconhecido resolvi encarar, já estava ali mesmo... Então fiz uma rápida oração e ouvi a voz doce de Deus me dizer aquele que lança mão do arado não olha para trás, siga em frente porque EU SOU contigo, EU te fortaleço e te ajudo com a minha destra fiel.